O Rede de Intrigas na Flip 2018!

O Rede de Intrigas demorou, mas chegou. E com o atraso trouxemos boas novidades. A primeira é a série que preparamos sobre a poesia de Hilda Hilst, a Poesia do lugar, feita com muito carinho e achismo, porque é assim que somos.

Vamos ao que interessa, portanto:

Dialogar com a poesia de Hilda Hilst é uma tarefa ingrata para qualquer um que se preste a fazê-lo. Por mais que o ímpeto de escrever, imperativo às dificuldades primárias e aos caminhos movediços, seja resiliente o bastante para transpor quaisquer frustrações iniciais, a poética de Hilda Hilst é repleta de nuances e envolta de uma aura desconhecida, o que faz de cada palavra empregada um fatídico simulacro em que, ao menor descuido, já não se sabe mais em qual ponto tudo carece do sentido e da precisão outrora tão evidentes.

Uma coisa parece — um parecer remoto, é claro — ser certa: tão mais perto se está de entender completamente a poesia de Hilda Hilst quanto à predisposição natural da montanha em se deslocar até Maomé; ou seja, a não ser que a realidade seja desconfigurada ou que uma intervenção divina aconteça, anunciando um milagre ou algo semelhante: desista, não vai acontecer.

Não existe caminho seguro que não seja raso ao tentar conceber a ideia de completude e solidez à obra poética de Hilda Hilst, o “unicórnio” da literatura — palavra bem dita (e bendita) por Caio Fernando de Abreu. O que não desabona, absolutamente, toda a fortuna crítica e a multiplicidade de interpretações e/ou interpelações construída ao longo das décadas de estudos acerca da vasta obra poética da autora.

À reunião de tantos pontos deve-se creditar a singularidade de uma poesia que ainda ocupa espaços não absorvidos inteiramente pelo imaginário leitor comum, pela crítica e pelo mercado editorial, inclusive — que agora, num princípio de boa vontade (e alguma justiça) para com a memória da poeta, a coloca como autora homenageada da Flip 2018 e garante sua publicação póstuma pela Companhia das Letras.

Discutir a posição de Hilda Hilst na literatura ainda não é possível, apesar de tentador. O fato de não ter-se reconhecido a poética de Hilda como um lugar próprio em toda a sua multiplicidade é, talvez, o principal impeditivo de tal afirmação de importância, o que contribui para que ela ainda esteja à margem — como esteve durante toda a vida — em discussões acerca da grandeza e/ou peso dentro dos círculos literários mais abrangentes de seu tempo. Cabe, então, ao leitor entusiasta, à crítica especializada e à memória que se mantém viva através do belo trabalho promovido pelo Instituto Hilda Hilst, a tentativa de estabelecer para o grande mercado a Hilda Hilst no próprio espaço, criado por ela através das palavras.

Hilda Hilst é um universo à parte, um espaço único da poesia brasileira ainda não desvendado e deveras exigente. A série Poesia do lugar coexiste com as interpretações possíveis — provavelmente incompleta — dadas à produção poética da autora, dividida em três dimensões: O Natural, O Corpo e O Éter.

Mais infos da Flip 2018:

O Rede de Intrigas (gostamos da megalomania de nos tratarmos na terceira pessoa sempre que possível) assistirá algumas mesas da programação principal da Flip 2018 e, quem sabe, não nos esbarremos por lá. Então fica a nossa programação — ou lista de prioridades (que pode mudar sem aviso prévio) — e o convite para um café (vocês pagam, claro):

Quarta – 25/7 – 20h – Mesa 1 – Hilda, Fernanda e Jocy

Quinta – 26/7 – 12h – Mesa 3 – Barco com asas

Quinta – 26/7 – 15h30 – Mesa 4 – Encontro com livros notáveis

Quinta – 26/7 – 17h30 – Mesa 5 – Amada vida

Sexta – 27/7 – 12h – Mesa 8 – Minha casa

Sexta – 27/7 – 15h30 – Mesa 9 – Memórias de porco-espinho

Sexta – 27/7 – 17h30 – Mesa 10 – Interdito

Sábado – 28/7 – 10h – Mesa 12 – Som e fúria

Sábado – 28/7 – 20h – Mesa 16 – No pomar do incomum

Domingo – 29/7 – 12h – Mesa 17 – Sessão de encerramento: O escritor e seus múltiplos

 

Além da programação principal, as casas com programação paralela prometem muita coisa boa para esse ano e estaremos por lá, onipresentes que somos e deuses da farra e das festas (literárias ou não). Casa do Desejo, Casa Paratodos, Carreta da EDP (com show do meu camarada Vinícius Terra no sábado — 28/7 — imperdível), Casa da Porta Amarela (melhor sarau dos últimos anos), a programação do SESC costuma ser excelente também. Várias dicas para vocês ficarem ligados, certo? Certo!

É isso, então. Demos início aos trabalhos para a Flip 2018.

Novidades em breve.

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